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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Uma única tempestade derrubou meio bilhão de árvores na Amazônia, diz estudo Tempestades que cruzam toda a bacia Amazônica são incomuns Uma única,

Tempestades que cruzam toda a bacia Amazônica são incomuns

Uma única, violenta e avassaladora tempestade que varreu toda a floresta amazônica em 2005 pode ter destruído meio bilhão de árvores, diz um estudo americano.

Embora tempestades sejam uma causa conhecida de mortes de árvores na Amazônia, o novo estudo - feito por especialistas da Tulane University, em Nova Orleans, em parceria com cientistas brasileiros do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Unesp - é o primeiro a oferecer uma contagem mais precisa.

Segundo seus autores, o trabalho revela perdas muito maiores do que se pensava, sugerindo que tempestades cumprem um papel bem mais importante do que se supunha na dinâmica da floresta amazônica.

Os cientistas advertem que, por causa das mudanças climáticas, tempestades violentas deverão se tornar mais frequentes na região, matando mais árvores e, consequentemente, aumentando as concentrações de carbono na atmosfera.

O estudo será publicado na revista científica Geophysical Research Letters.

Estudo

Uma pesquisa anterior tinha atribuído um aumento na mortalidade de árvores em 2005 na região a uma seca prolongada que afetou partes da floresta naquele ano. Mas o estudo recente identificou uma área não atingida pela seca onde houve grande perda de árvores (a região de Manaus).

Segundo os cientistas, entre 16 e 18 de janeiro de 2005, uma única linha de instabilidade com 1000 km de comprimento e 200 km de largura cruzou toda a bacia amazônica de sudoeste a nordeste, levando tempestades violentas, com raios e chuvas pesadas, provocando várias mortes nas cidades de Manaus, Manacaparu e Santarém.

Ventos verticais fortes, com velocidades de 145 km/hora, arrancaram ou partiram árvores ao meio. Em muitos casos, ao cair, as árvores atingidas derrubaram outras a seu redor.

Para calcular o número de árvores mortas, os pesquisadores usaram uma combinação de imagens de satélite, contagens feitas por especialistas em áreas pré-selecionadas da floresta e modelos matemáticos.

O uso associado de imagens de satélite e observações feitas no campo permitiu que os pesquisadores incluíssem quedas de grupos menores de árvores (menos de dez unidades) que não podem ser detectadas pelo satélite.

Os cálculos iniciais, relativos a áreas afetadas pela tempestade na região de Manaus, foram depois usados como base para se chegar ao número total de mortes em toda a floresta.

Os cientistas concluíram que entre 441 e 663 milhões de árvores foram destruídas em toda a floresta.

Nas regiões mais atingidas, cerca de 80% das árvores foram atingidas.

Linhas de instabilidade que se movem de sudoeste a nordeste na Amazônia são raras e pouco estudadas, disse Robinson Negrón-Juárez, da equipe da Tulane University.

Tempestades destrutivas que avançam na direção oposta, da costa nordeste para o interior do continente, são mais comuns - ocorrendo até quatro vezes por mês - e também provocam grandes quedas de árvores.

O que é bastante incomum são tempestades que cruzam toda a bacia Amazônica, como a de 2005, explicou Negrón-Juarez.

"Precisamos começar a medir a perturbação causada pelos dois tipos de linhas de instabilidade sobre a floresta", ele disse. "Precisamos dessas informações para calcular a perda total de biomassa nesses eventos naturais, algo que nunca foi quantificado".

Outro cientista da equipe, Jeffrey Chambers, acrescentou: "Com as mudanças climáticas, há previsões de que as tempestades aumentem em intensidade. Se começarmos a observar aumentos na mortalidade das árvores, precisamos ser capazes de estabelecer o que está matando as árvores".

Apesar dos avanços, combate ao desmatamento ainda enfrenta entraves


Desmatamento em São Félix do Xingu, no Pará

Gado toma área desmatada em São Félix do Xingu, no Estado do Pará

Quando o governo anuncia que a taxa de desmatamento na Amazônia foi a menor desde 1988, até os mais céticos comemoram. Mas a celebração arrefece assim que se observam os dados mais de perto: em um ano, uma área maior que quatro cidades de São Paulo foi ao chão.

As ações do governo nos últimos três anos vêm surtindo efeito na queda da taxa do desmatamento na Amazônia, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, embora alguns apontem outros fatores para a diminuição.

“Antes, em anos eleitorais, havia muito desmatamento, porque se afrouxavam as leis e a vigilância em relação aos pecuaristas e à atividade madeireira”, afirma a engenheira florestal Sanae Hayashi, que é pesquisadora do Imazon, ONG que monitora o desmatamento na Amazônia.

Outras iniciativas pontuais, segundo a pesquisadora, também contribuíram para a redução, caso do combate à carne ilegal pelo Ministério Público do Pará e da recusa em repassar verbas públicas para municípios desmatadores.

A professora de gestão ambiental da USP e autora do livro Políticas Territoriais na Amazônia, Neli Aparecida de Mello, também ressalta a “agenda positiva” que o Ministério do Meio Ambiente vem estabelecendo.

CliqueLeia também na BBC Brasil: Taxa de desmatamento da Amazônia é a menor desde 1988, diz governo

Falso positivo

Mas Mello logo chama atenção para dados que passam uma falsa impressão de que houve queda no desflorestamento. É o caso de áreas onde não havia mais árvores para se derrubar, apenas reservas ambientais ou indígenas.

A professora também cita o crescimento do desmate localizado, especialmente no Amazonas.

Há ainda causas consideradas momentâneas para a queda do desmatamento, ou seja, que não têm nenhuma relação com as práticas de combate do governo.

Uma delas é o mercado das commodities. “O preço da soja caiu ou se estabilizou de 2006 para cá, reduzindo o interesse no uso dessas áreas de desmatamento, como vinha ocorrendo desde 2003”, afirma Mello. “Não duvido que, se o preço da soja voltar a crescer, esse cenário seja revertido.”

O mesmo raciocínio vale para o gado, cujo impacto é ainda maior, já que a pecuária é responsável por 80% do desmatamento na região.

Tendência?

Esses dados “falsos positivos” contribuem para que alguns ambientalistas rejeitem o discurso de que há uma tendência de queda no desmatamento da Amazônia.

“O que há é uma conjuntura de redução do ritmo (do desmate)”, afirma o diretor da ONG Amigos da Terra, Roberto Smeraldi.

“Mas para haver uma tendência é preciso verificar mudanças estruturais em práticas agropecuárias e fundiárias, o que não vemos hoje. Há apenas ações pontuais”, afirma Smeraldi, acrescentando outros fatores, como o vazamento do desmate para o Cerrado.

Ele afirma que só passará a acreditar numa tendência de queda quando forem pagas ao menos 10% das multas aplicadas aos desmatadores – esse índice é de apenas 0,5% hoje.

Alternativas

Além de combater a impunidade, há outras medidas que, segundo os especialistas, precisam ser tomadas para que haja uma redução real do desmatamento na Amazônia.

Uma delas é investir na fiscalização. “O crescimento do número de Unidades de Conservação (UC) é louvável. Mas é preciso que se ampliem o número de fiscais”, afirma Mello, citando a Flona de Humaitá, onde só havia um responsável em uma área do tamanho do Distrito Federal.

Para o biólogo Philip Fearnside, que há 32 dois anos é pesquisador na Coordenação de Pesquisas em Ecologia do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), é preciso também reavaliar a construção das estradas, que levam ao desmatamento.

“A ideia de que se pode fazer estradas cortando a Amazônia e deixar o ônus para os órgãos ambientais para conter a destruição é uma fórmula para perder o restante da Amazônia”, afirmou Fearnside. “As estradas construídas hoje serão os condutores do desmate durante décadas no futuro.”

Para ele, a salvação da Amazônia passa pelo incentivo à inclusão do desmatamento evitado como uma medida para se conceder créditos de carbono – para compensar as emissões de outras fontes.

Potencial

O coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental da USP, Ricardo Abramovay, também defende uma mudança na maneira de como se vê a floresta e seu potencial.

“Ainda se ganha muito dinheiro derrubando a floresta”, diz. “Como não paga pelos prejuízos do desmatamento, a pecuária é barateada. Esse custo não se revela hoje no preço da carne – são as futuras gerações que vão pagá-lo.”

Segundo ele, criou-se uma coalizão de interesses na região – com pecuaristas e agências públicas como o BNDES - que acha que o Brasil tem vocação para alimentar o mundo com o gado. “Hoje, não é aceitável que a pecuária, com seu grau de maturidade, ainda precise desmatar.”

Mas Abramovay, que é professor na faculdade de Economia da USP, afirma que a opção de ser apenas exportador de carne, e não de biodiversidade, bloqueia a exploração de coisas mais promissoras, inclusive financeiramente.

Além do lucro com o mecanismo do Redd, ele cita outras possibilidades. “O BNDES teria de investir em bioenergia de produtos florestais, como fármacos e cosméticos, além da energia limpa.”

Para isso, tanto Abramovay como os outros especialistas concordam que é necessário mudar a visão ainda predominante de que a Amazônia é um local cujo sentido estratégico para o país é a produção de energia e commodities.

Destruição de recursos naturais causa perdas de US$ 2,5 tri ao ano, diz estudo


Área desmatada na Amazônia

Proteger ecossistemas é mais barato do que destrui-los, diz estudo

A destruição de ativos da natureza, como florestas e pântanos, causa perdas anuais de ao menos US$ 2,5 trilhões no mundo.

A cifra, que supera em quase US$ 1 trilhão o PIB do Brasil, foi citada em um projeto financiado pela Comissão Europeia e apresentado nesta quarta-feira em Nagoya, Japão, durante conferência da Unep, a agência de meio ambiente da ONU.

“The Economics of Ecosystems and Biodiversity” (Teeb) é um estudo de dois anos cujo objetivo é mostrar o valor econômico de florestas, água, solo e corais, bem como os custos ocasionados pela perda desses recursos.

O líder do projeto, Pavan Sukhdev, pediu que “o valor dos serviços da natureza se torne visível” e influencie negócios e decisões adotados pelos países.

Seu relatório afirma que os custos de proteger a biodiversidade e os ecossistemas é mais baixo do que o custo “de permitir que eles mingúem”, e artigo no site do projeto diz que “estamos vivendo do capital da Terra; precisamos aprender a viver dos juros”.

Brasil e Índia

Outra conclusão é a de que a conservação tem papel importante na redução da pobreza, pois "florestas e outros ecossistemas contribuem para a sobrevivência de lares rurais empobrecidos".

Os líderes do projeto disseram que alguns países estão dando os primeiros passos para levar o valor da natureza em consideração ao adotar políticas públicas, e citam Brasil e Índia como exemplos.

“A abordagem do Teeb é útil para fazer com que (diferentes setores da sociedade) entendam as implicações da perda da biodiversidade e do retorno de investimentos (por conta da) conservação dessa biodiversidade”, disse à BBC News Bráulio Dias, secretário de biodiversidade e florestas do Ministério do Meio Ambiente brasileiro, presente no evento em Nagoya.

Sukhdev disse que 27 países da América Latina e da África pediram à agência ambiental da ONU ajuda para tornar suas economias mais “verdes”.

Cidades

O cálculo do valor de ecossistemas específicos foi aplicado pelo Teeb em cidades como Campala e Nova York.

Em Campala, capital de Uganda, estimativa de 1999 dava conta que o pântano Nakivubo valia entre US$ 1 milhão e US$ 1,75 milhão ao ano, por sua habilidade em purificar o esgoto da cidade.

Segundo o relatório, o cálculo fez com que fossem abandonados planos de drenar o pântano. No entanto, ao longo do tempo o Nakivubo perdeu suas capacidades, e em 2008 foi necessário um projeto para restaurar o local.

“O caso de Uganda mostra que, enquanto a valoração de serviços do ecossistema em geral fortalece argumentos para proteger o capital natural, por si só ela não previne que sejam tomadas decisões que degradem esses serviços”, diz o estudo do Teeb.

Mas essa valoração “estimulou a implementação de normas que premiam os responsáveis por proteger” o ecossistema.

Um caso citado ocorreu em Nova York, onde autoridades pagam donos de terras em uma área montanhosa perto da cidade para que estes adotem técnicas agrícolas mais avançadas.

O objetivo é impedir que nutrientes da terra sejam escoados para rios locais, o que demandaria a construção de custosas estações de tratamento de água.

O incentivo aos agricultores custa entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, enquanto o valor estimado de uma nova estação de tratamento de água é de US$ 6 bilhões a US$ 8 bilhões.

E Curitiba é citada no relatório como “exemplo” positivo de cidade que expandiu seus parques urbanos com o objetivo de prevenir inundações e oferecer espaço recreativo aos seus cidadãos. Estes contam com, “em média, 50 m² de espaço verde cada um, um dos maiores índices da América Latina”.

Veto a desmatamento na Amazônia poderia trazer lucro a outras regiões do Brasil, diz BID


Desmatamento na Amazônia

Veto a desmate traz prós e contras e deve ser avaliado, diz especialista

Um estudo que avalia os efeitos na agricultura e na segurança alimentar de eventuais limitações ao desmatamento estima que o Brasil poderia lucrar cerca de US$ 900 milhões até 2030 se fosse interrompido o desmate da Amazônia feito para abrir terras para a agricultura e o pasto.

Segundo a avaliação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), publicada em estudo divulgado na última semana, esse ganho ocorreria se, enquanto a floresta amazônica fosse preservada, outras regiões do Brasil ainda subutilizadas – segundo a opinião do BID –, como o vale do rio São Francisco e a região Sul, aumentassem sua produtividade.

Essas outras regiões tendem a desenvolver sua agricultura naturalmente, mas seu ganho produtivo seria maior caso fosse vetado o desmatamento amazônico, explica o BID, citando um efeito econômico conhecido como "spillover" (transbordamento).

O estudo do BID pondera os efeitos de hipotéticos vetos ao desmatamento na América Latina, num momento em que o continente tem o desafio de "aumentar a produção agrícola agregada para atender à crescente demanda por comida sem proporcionalmente aumentar a emissão de gases do efeito estufa".

Um eventual veto ao desmatamento nos trópicos latino-americanos poderia “economizar”, calcula o banco, cerca de 3,3 milhões de hectares de florestas (o que equivale a uma vez e meia o território de Sergipe) e evitaria que o equivalente a 2,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono fosse emitido.

Para Eirivelthon Lima, economista de recursos naturais do banco e um dos coordenadores do estudo, o Brasil é um dos “mais preparados” da América Latina para absorver os impactos de restrições ao desmatamento, cada vez mais discutidas no continente para reduzir a emissão de gases do efeito estufa.

Mas Lima faz ressalvas: esse veto ao desmatamento de fins agrícolas só traria lucros e benefícios se fosse acompanhado de medidas compensatórias aos produtores rurais, que seriam fortemente afetados pelas restrições, e de estudos do impacto regional que esse veto provocaria.

Por isso, o BID é cauteloso ao recomendar restrições totais à remoção de florestas. “Ainda carecemos de estudos que façam a correlação entre desmatamento e segurança alimentícia. A recomendação ao Brasil é que discuta suas decisões. Banir o desmatamento é uma ótima política, mas é preciso que haja medidas compensatórias”, opina o economista.

Em dezembro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a menor taxa de desmatamento na Amazônia Legal desde o início das medições do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em 1988.

Em contrapartida, alguns ambientalistas criticam o novo projeto do Código Florestal, que pode flexibilizar a área de mata nativa que deve ser considerada de preservação permanente, e ambientalistas e ruralistas divergem quanto a se áreas agrícolas devem ser preservadas.

‘Dilema’ latino-americano

Para Lima, existe um “dilema” em toda a América Latina de como produzir mais alimentos – num momento em que cresce a demanda global por eles – e, ainda assim, cumprir promessas de redução das emissões de gases-estufa e evitar que suas florestas sejam derrubadas para se tornar plantações ou pastos.

Apesar de mostrar o impacto positivo que um eventual veto ao desmatamento latino-americano teria sobre as emissões de gases-estufa, o BID percebeu que “os resultados (do estudo) reforçam a sabedoria convencional de que uma expansão reduziria o emprego e a renda nas comunidades rurais afetadas – e isso aumentaria a pobreza local”.

O banco calcula que as perdas em receita agrícola de um eventual veto chegariam a US$ 12,7 bilhões em 2030 nos países latino-americanos. As nações mais afetadas seriam as da América Central e Caribe.

“Ao mesmo tempo em que temos de ser produtivos, temos o debate climático”, diz Lima. “Na minha opinião, uma das saídas é investir na produtividade e na tecnologia agrícola (para produzir mais sem sacrificar florestas). Mas isso não basta. É preciso também fortalecer as políticas de proteção ambiental.”

Em contrapartida, outra conclusão do estudo é que esse veto ao desmatamento nos trópicos latinos afetaria pouco o preço mundial dos alimentos. “Nossa análise ressalta a habilidade do sistema de produção alimentícia global em se ajustar à redução de área disponível para a agricultura por meio de mudanças no mix de produtos, de aumento de produtividade e de aumento de cultivo em outras áreas do mundo”, diz a pesquisa.

Mata Atlântica é a quinta floresta mais ameaçada do mundo, diz ONG


Parque nacional da Serra dos Órgãos (RJ)

ONG diz que só restam 8% da cobertura original da Mata Atlântica

Um ranking divulgado nesta quarta-feira pela entidade ambiental Conservação Internacional indica que a Mata Atlântica é a quinta floresta mais ameaçada do mundo.

A lista enumera o que a organização considera ser as dez regiões florestais mundiais que enfrentam os maiores riscos.

Segundo a ONG, a posição da Mata Atlântica na quinta colocação se justifica porque restam apenas 8% da cobertura original da floresta, que antes ocupava boa parte da costa brasileira.

A organização afirma que a floresta ''abriga 20 mil espécies de plantas, sendo 40% delas endêmicas. Ainda assim, menos de 10% da floresta permanece de pé''.

Perigo

O relatório da Conservação Internacional diz ainda que mais de duas dúzias de espécies de vertebrados criticamente em perigo de extinção estão lutando para sobreviver na Mata Atlântica.

Entre as espécies listadas estão seis espécies de aves que habitam uma pequena faixa da floresta no Nordeste.

De acordo com a Conservação Internacional, um dos motivos para o desmatamento acentuado que a floresta vem sofrendo é a ''crescente urbanização e industrialização do Rio de Janeiro e de São Paulo''.

A floresta brasileira ficou atrás de regiões da Índia e de Mianmar que só contam com 5% de seu bioma original.

Também estão mais ameaçadas do que a Mata Atlântica uma área da Nova Zelândia que só mantém 5% de sua cobertura original; outra, situada entre a Indonésia, a Malásia e o Brunei, que só preserva 7% do que já possuiu, e outra nas Filipinas, também com 7% da cobertura original.

O relatório foi divulgado nesta quarta-feira para coincidir com o anúncio oficial pela ONU do Ano Internacional de Florestas.

Música : Terra

terça-feira, 24 de maio de 2011

Maior desmatamento detectado pelo Inpe fica dentro de terra indígena

Terra Maraiwatsede, em MT, é palco de disputa entre índios e fazendeiros.
Área de 68,8 km² é a mais extensa de levantamento de abril.

Dennis BarbosaDo Globo Natureza, em São Paulo


O maior foco de desmatamento detectado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em abril na Amazônia Legal é uma área de 68,8 km² dentro da Terra Indígena Maraiwatsede, em Mato Grosso - o equivalente a 43 vezes o Parque Ibirapuera, em São Paulo. A reserva é palco de uma disputa entre fazendeiros e índios xavantes.

Segundo informações do Inpe, as imagens de satélite dão a impressão de que se trata de uma área que vem sendo degradada há algum tempo, visto que um polígono semelhante a esse foi detectado em setembro de 2009. A imensa área fica próxima à única aldeia xavante dentro dessa terra.

Imagem do Inpe mostra, marcada com linha amarela, o alerta de desmatamento na Terra Indígena Maraiwatsede. O círculo vermelho, acrescentado pelo Globo Natureza, indica a localização da aldeia xavante. (Foto: Inpe)Imagem do Inpe mostra, marcada com linha amarela, o alerta de desmatamento na Terra Indígena Maraiwatsede. O círculo vermelho, acrescentado pelo Globo Natureza, indica a localização da aldeia xavante. (Foto: Inpe/Divulgação)

A Terra Maraiwatsede tem uma história problemática. Nos anos 60, os índios xavantes que ali habitavam foram transferidos para outras regiões pelo governo militar, para darem espaço a um projeto agrícola. Na época da Eco 92, a empresa proprietária da fazenda criada no local decidiu devolver a área aos xavantes. No entanto, posseiros dos arredores ocuparam a terra antes que a volta dos indígenas ocorresse.

Em 1998, veio a homologação da terra e o reconhecimento do direito dos xavantes à reserva. Mas até hoje há disputas judiciais em que os fazendeiros, que seguem na terra indígena, questionam sua saída da região.

Enquanto não saem, os posseiros seguem desmatando a terra indígena para aumentar sua produção. Na semana retrasada, um grupo de 125 indígenas invadiu uma das fazendas que, segundo alegam, estaria arrendando terras para a formação de mais pasto.

Transferência
Na semana passada, na tentativa de dar uma solução ao conflito entre fazendeiros o governo de Mato Grosso entregou ao Ministério da Justiça um documento propondo a transferência da reserva indígena para uma nova área, também localizada na região do Araguaia. A Funai, órgão subordinado ao ministério, que é responsável pela questão indígena no país, logo em seguida publicou um comunicado rechaçando essa possibilidade.

“A proteção constitucional garantida às terras indígenas veda qualquer possibilidade de transação das áreas reconhecidas como de uso tradicional, visto que são indispensáveis à sobrevivência física e cultural dos povos indígenas, nos termos do artigo 231 da Constituição Federal”, argumenta a Funai.