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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

E o Brasil chegou para abafar

Agências - 13/12/2009 - 23h42
Ed Ferreira/AE

Dilma (ao lado de Minc e do embaixador Luiz Alberto Figueiredo): governo brasileiro não financiará fundo.A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, acusou os países ricos de tentar "inverter papéis" e tratar as nações em desenvolvimento - incluindo o Brasil - como se fossem desenvolvidas. Dilma, que participou ontem da primeira reunião de ministros da 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP15), em Copenhague, classificou como "um escândalo" a proposta de que países em desenvolvimento contribuam também com financiamento para um fundo global de combate às mudanças climáticas."Sinto uma inversão de responsabilidades aí. Digam quanto vocês (os países desenvolvidos) vão colocar (no fundo), a responsabilidade é de vocês. Aceitar que desenvolvidos e em desenvolvimento tenham o mesmo tratamento é um escândalo", afirmou. Ela chegou no sábado a Copenhague, juntamente com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para a conferência, que busca um novo acordo de combate às mudanças climáticas.Apesar das críticas, Dilma disse que sentiu avanços. Mas ficou claro que a questão do dinheiro é um nó que está longe de ser desatado. Ela enfatizou que o Brasil não só não planeja colocar recursos no fundo como pretende ter acesso a financiamentos - algo que os ricos tentam evitar, barrando o acesso dos emergentes e reservando o dinheiro somente aos pobres.Princípios básicos - A discussão vai além. Financiar ações nos países em desenvolvimento e definir metas de redução de emissões domésticas são atribuições definidas pela Convenção do Clima aos países desenvolvidos. E essas atribuições e a responsabilidade de cada um que estão sendo desviadas em Copenhague, segundo Dilma.O Protocolo de Kyoto fala em responsabilidades históricas dos ricos pelas emissões e, como consequência, a parcela maior de sacrifício também caberia a essas nações industrializadas. "Eles (os países desenvolvidos) não aceitam. Eles contornam essa questão. Mas não é possível ir adiante sem falar nisso", disse Dilma. A própria Convenção do Clima, de 1992, lembrou Dilma, diz que as ações de mitigação nos países em desenvolvimento "dependem" de financiamento dos desenvolvidos. A conferência vai até sexta-feira. Nos últimos dois dias ocorrerá a cúpula de chefes de Estado, com participação de vários líderes, inclusive do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Causa nobre - Ao contrário do que defendeu a ministra da Casa Civil, a senadora Marina Silva (PV-AC) considera que os países em desenvolvimento podem colaborar com recursos para o fundo internacional de adaptação climática."Acho que é uma causa tão nobre salvar o planeta", disse Marina, lembrando que o Brasil já emprestou dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Ela não espera, porém, que a ajuda dos países em desenvolvimento seja equivalente à dos desenvolvidos. Segundo Marina, deve-se obedecer ao princípio da "proporcionalidade".A senadora, que participou ontem da Cúpula Mundial dos Partidos Verdes, destacou o compromisso dos líderes com as gerações futuras, informou Célia Marcondes, do Diário do Comércio. "Recuar o crescimento em emissões de CO2 não é recuar o crescimento; basta usar meios alternativos." Marina exortou os lideres que participam da COP15 a não fazerem "apenas discursos", mas que tomem "medidas concretas". "Se cada um olhar somente o seu interesse interno, a conta não fecha porque todos querem crescer e ganhar, mas o interesse há que ser global", afirmou.Manifestações - Protestos realizados ontem, em Copenhague, resultaram na prisão de 200 pessoas, elevando o número do final de semana para mais de mil detidos (à esq.). Entre os manifestantes, a maioria formada por cidadãos comuns e membros de organizações não-governamentais (ONGs), estão grupos antiglobalização ou anarquistas - alguns dos quais violentos.


DC de 13 de dezembro de 2009

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